ENDOSUTURA GÁSTRICA

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ENDOSUTURA GÁSTRICA

Maria Paula Carlin Cambi

A endosutura gástrica é um tratamento inovador na endoscopia bariátrica. É indicada para pacientes com obesidade graus II e III que não querem se submeter ao tratamento tradicional do Bypass Gástrico, para pacientes com obesidade grau I que já tentaram inúmeros tratamentos sem sucesso e para aqueles que fizeram a cirurgia bariátrica e voltaram a ganhar peso.

O tratamento é feito pelo médico endoscopista bariátrico com um aparelho chamado Apollo Overstitch que faz várias suturas no estômago deixando-o menor e portanto com capacidade diminuída para a alimentação.

O tratamento nutricional exige uma evolução de consistência similiar ao pós operatório de cirurgia bariátrica – alimentação líquida, pastosa, branda e normal, de forma hipocalórica.

Quando se trata de recidiva de peso, o mais importante é integrar o paciente novamente na equipe multidisciplinar. Investigar as causas da recidiva e trazer o paciente para a realidade da mudança no estilo de vida com alimentação saudável e exercício físico frequente. A obesidade é uma doença crônica e por isso, mesmo com estas medidas, pode haver adaptações biológicas e hormonais que dificultam a manutenção de peso individual. Os pacientes devem ser alertados que devem manter o acompanhamento nutricional permanente. As possíveis deficiências nutricionais como anemias, alopecia, alterações no metabolismo de cálcio e vitamina D entre outras, devem ser investigadas e tratadas antes de qualquer novo tratamento.

Os tratamentos atuais estão aí para serem utilizados da melhor maneira possível, mas precisam contar com o feed back atento e permanente do paciente que está em casa executando as orientações que recebe nos consultórios.

Para mais informações sobre a endosutura gástrica ligue para 3029-6655.

 

COMO A NUTRIÇÃO CONTRIBUI NA GESTAÇÃO APÓS CIRURGIA BARIÁTRICA?

COMO A NUTRIÇÃO CONTRIBUI NA GESTAÇÃO APÓS A CIRURGIA BARIÁTRICA

 

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MARIA PAULA CARLIN CAMBI

A obesidade pode ser um fator crucial para a fertilidade feminina. Muitas pacientes obesas procuram a cirurgia bariátrica com a intenção primeira de conceber. Uma importante causa desta infertilidade é a síndrome dos ovários policísticos que acomete de 6 a 10% das mulheres obesas. Com a cirurgia há uma perda ponderal importante e um efeito positivo na remissão das comorbidades, o que facilita o processo reprodutivo.1

A gestação após a cirurgia bariátrica é segura? Sim. Mas muitos estudos trazem confirmações importantes no que se refere à necessidade de suplementação específica e acompanhamento nutricional periódico para prevenir possíveis complicações tanto para a mãe como para o bebê.

Um estudo francês comparou gestantes com bypass gástrico (RYGB) com mulheres eutróficas e concluiu que as primeiras podem gerar filhos com 23% de peso a menos devido basicamente a diminuição de ingestão calórica diária. Observaram o cordão umbilical de ambos os grupos e verificaram que no grupo de mães com RYGB houve uma diminuição de cálcio, zinco, vitamina A, leptina e IGF1. E um aumento de magnésio, vitamina E, D e B12. Essa mudança foi significativa em magnésio, vitamina E, D e B12. A diminuição de leptina e IGF1 pode ter sido devido à diminuição do anabolismo. As mulheres operadas apresentaram uma taxa maior de parto cesariana e um menor tempo de amamentação.2

Uma metanálise demonstrou que as mulheres gestantes que se submeteram ao RYGB tiveram menor incidência de diabetes gestacional e eclampsia, porém um maior número de bebês pequenos para a idade gestacional (PIG), justificado pela diminuição da ingestão calórica diária e má absorção de nutrientes específicos. Não houve diferenças em casos de alterações em tubo neural entre gestantes bariátricas e não bariátricas.3

A gestação após o RYGB é segura e bem tolerada desde que bem monitorada por uma equipe multidisciplinar atenta para evitar complicações nutricionais como a deficiência de micronutrientes.4

Um estudo controlado com 119 participantes, sendo 55 com Sleeve, 34 com banda gástrica e 30 com RYGB, demonstrou que 49,6% dos pacientes têm hipoglicemia com testes de tolerência à glicose que são feitos de rotina próxima à vigésima semana de gestação. Destes 49,6%, 54,5% foram pacientes com RYGB. Estes pacientes com hipoglicemia, demonstraram diminuição na taxa de diabetes gestacional, porém ainda altas taxas de bebês pequenos para a idade gestacional (PIG)5

A suplementação pré natal, com oferta ótima de ferro e ácido fólico deve ser ofertada para a futura mãe. O monitoramento mensal de exames laboratoriais e do peso materno e crescimento intrauterino é essencial para prevenir o nascimento de bebês PIG.6

A gestação após o RYGB só é encorajada após um ano e meio a dois anos para prevenir complicações em mãe e filho.7

Um estudo realizado em crianças nascidas de mães operadas com RYGB investigou 13 meninos e meninas, sendo 61,6% de meninas, sendo 46,1% eutróficos e 30,8% obesos. Dentre os obesos, menos da metade foi amamentado pela mãe. O grupo apresentou deficiência de ferro e vitamina A, baixa ingestão de lipídios em 30,7% e inadequada ingestão de carboidratos em 7,6%. A ingestão de fibras estava fora da recomendação dietética diária para a faixa etária. As crianças nasceram PIG e os autores concordam que a amamentação pode prevenir a obesidade na infância e adolescência.8

A gestação após a cirurgia bariátrica deve ser seguida de um acompanhamento multidisciplinar atento, com suplementos nutricionais específicos (polivitamínico rico em ferro), ferro alimentar e adicional até completar 100mg por dia, ácido fólico alimentar e suplementar desde a pré concepção, cálcio alimentar e até 1500mg por dia (preferencialmente citrato de cálcio), vitamina B12 alimentar e suplementar (1000mcg por dia via oral ou mensalmente 5000mcg intramuscular.9,10,11

 

Referências Bibliográficas

  1. Stroh CGroten TSchleussner EManger T. Pregnancy after Obesity and Metabolic Surgery – Risks and Complications. Zentralbl Chir.2018 Feb 22.
  2. Geraldine Gascoin, M.D., Ph.D.a , Maxime Gerard, M.D.a , Agnès Sallé, M.D., Ph.D.b,c , Guillaume Becouarn, M.D.c,d , Stephanie Rouleau, M.D.a, Loïc Sentilhes, M.D., Ph.D.e , Régis Coutant, M.D.a,c, Risk of low birth weight and micronutrient deficiencies in neonates from mothers after gastric bypass: a case control study. Surgery for Obesity and Related Diseases 13 (2017) 1384–1391
3. Kwong WTomlinson GFeig DS. Maternal and Neonatal Outcomes After Bariatric Surgery; A Systematic Review and Meta-Analysis: Do the benefits outweigh the risks? Am J Obstet Gynecol. 2018 Feb 15.

4. Costa MM, Belo S, Souteiro P, Neves JS, Magalhães D, Silva RB, Oliveira SC, Freitas P, Varela A, Queirós J, Carvalho D. Pregnancy after bariatric surgery: Maternal and fetal outcomes of 39 pregnancies and a literature review. J Obstet Gynaecol Res. 2018 Jan 18.

5. Rottenstreich A, Elazary R, Ezra Y, Kleinstern G, Beglaibter N, Elchalal U. Hypoglycemia during oral glucose tolerance test among post-bariatric surgery pregnant patients: incidence and perinatal significance. Surg Obes Relat Dis. 2017 Dec 8.

  1. Kjær MM1, Torvin-Andersen LL, Dam P, Jensen DM, Lauenborg J, Stentebjerg LL, Støving RK, Renault KM. Pregnancy after bariatric surgery. Ugeskr Laeger.2017 Dec 4;179(49).
7. Luyssen J, Jans G, Bogaerts A, Ceulemans D, Matthys C, Van der Schueren B, Lannoo M, Verhaeghe J, Lemmens L, Lannoo L, Shawe J, Devlieger R. Contraception, Menstruation, and Sexuality after Bariatric Surgery: a Prospective Cohort Study. Obes Surg. 2017 Dec 2.

8. Gimenes JC, Nicoletti CF, de Souza Pinhel MA, Cortes-Oliveira C, Salgado Júnior W, Nonino CB. Nutritional Status of Children from Women with Previously Bariatric Surgery. Obes Surg. 2017 Oct 5.

  1. AILLS L, BLANKENSHIP J, BUFFINGTON C, et al. ASBMS Allied Health Nutritional Guidelines for the Surgical Weight Loss Patient. Surg Obes Relat Dis. 2008 sep – oct; 4 (5 suppl): S 73 – 108.
10.MECHANICK JI, YOUDIM A, JONES DB, et al. Clinical Practice guidelines for the perioperative nutricional, metabolic and nonsurgical support of the bariatric surgery patient 2013 update. Surg Obes Relat Dis, 2013; 9 (2): 159 – 91.

11.BUSETTO L, DICKER D, AZRAN C et al Practical Recomendationa of the Obesity Management task force of the European Association for the study of obesity (EASO) the Post-Bariatric Surgery Medical Management. Obes Facts 2017; 10: 597-632.

 

 

 

 

 

Hipervitaminoses

Com o avanço das técnicas cirúrgicas para o tratamento da obesidade mórbida, houve a necessidade de um conhecimento minucioso para a correção de possíveis deficiências nutricionais causadas pela má absorção de nutrientes. Porém, com objetivo de apenas corrigir as carências de macro e micronutrientes, ficou negligenciada a preocupação com a toxicidade que o excesso de suplementos pode causar. Com o intuito de demonstrar suas conseqüências, este artigo visa alertar para este tema tão importante no acompanhamento nutricional após a cirurgia da obesidade.

A necessidade de suplementos nutricionais após o tratamento cirúrgico é bem conhecida por todos, devido a possíveis anemias recorrentes, alopécia, alterações oftalmológicas, dermatológicas, neurológicas que afetam os pacientes e preocupam a equipe que os trata.

Para o tratamento da anemia ferropriva, por exemplo, nenhum profissional hesita em oferecer ferro em quantidades suficientes para a sua correção, esquecendo-se muitas vezes que a sobrecarga de ferro é depositada na forma de hemossiderina em células reticuloendoteliais ou nas células parenquimatosas de certos tecidos. O local de deposição depende em parte da porta de entrada. Ferro em excesso derivado da absorção intestinal é conduzido aos tecidos, ligado pela transferrina plasmática e transferido para células parenquimatosas e reticuloendoteliais e eritroblastos em desenvolvimento. Por outro lado, o ferro administrado parenteralmente, sob a forma de transfusão de sangue, acumula-se predominantemente nas células reticuloendoteliais onde os eritrócitos transfundidos são finalmente destruídos e sua hemoglobina é degradada. Na sobrecarga de ferro, a concentração de ferro sérico e a saturação da transferrina geralmente estão aumentadas e a CLFT (contagem de linfócitos totais) pode estar deprimida. A hemocromatose gera dano hepático, com ou sem evidência de lesão tecidual. Outro órgão mais raramente atingido é o cérebro, quando afeta-se o sistema nervoso central, resultando de hemorragias subaracnóideas recorrentes, com o depósito de ferro nas meninges. Pode ser associada com ataxia ou outras manifestações do sistema nervoso central. Doses acima de 01mg aplicado endovenosamente podem causar cefaléia, convulsões, náusea, vômitos, febre, suor, hipotensão e mesmo choque anafilático. O paciente pode apresentar paladar metálico, hepatomegalia, esplenomegalia, além do ferro servir como substrato para infecções.

Para as cirurgias de derivação biliopancreática é rotina o uso de suplementos de cálcio para a prevenção de osteomalácia. Porém, a hipercalcemia pode gerar cálculos renais, tônus muscular frouxo, constipação, grandes volumes urinários, náuseas, confusão, coma e morte. Esta toxicidade nunca decorre do excesso de consumo de fontes de cálcio alimentar e sim de suplementos, usualmente tomados com álcali absorvível (hidróxido de metais alcalinos como lítio, potássio, sódio, além de seus carbonatos e bicarbonatos), que eleva o pH da urina e predispõe a depósitos de cálcio nos rins. Os indivíduos com cálculos renais apresentam altas concentrações urinárias de cálcio porque tem um vazamento renal deste mineral e podem ter uma redução das reservas de cálcio no esqueleto. Os efeitos podem variar desde letargia, sonolência, coma, anorexia, incoordenação motora, sede, náuseas, vômitos, paladar amargo, bradicardia, hipotensão, fraqueza muscular, pruridos e diminuição da função renal.

Pacientes submetidos a cirurgias de desvio intestinal têm concentrações de zinco sérico deprimidas. Em conseqüência, apresentam alopécia comumente. A capacidade absortiva está diminuída, uma vez que estes pacientes têm uma redução de 2/3 na área embaixo da curva de concentração de zinco após uma carga oral, em comparação com controles sadios, sendo um fator de risco para infecções oportunistas (1). Doses acima de 200mg/d de zinco são eméticas (provocam vômitos). Sinais típicos de toxicidade aguda por zinco incluem dor epigástrica, diarréia, náusea e vômitos. A toxicidade pelo zinco pode induzir uma deficiência secundária de cobre causada pela competição entre estes elementos pela absorção intestinal. Níveis de suplementos de zinco baixos, como 50mg por dia podem gerar um declínio na Cu-Zn-superóxidodesmutase eritrocítica. Consumos de suplementos de zinco acima de 150mg por dia podem diminuir HDL, provocar erosão gástrica e função imune deprimida.  A US Environmental Protection Agency estabeleceu uma dose de referência oral DRf para o zinco – 0,3mg por kilograma de peso por dia. Um aumento nesta dosagem pode aumentar a probabilidade de efeitos deletérios. (3)

A deficiência de vitaminas lipossolúveis também é um achado comum em pacientes com derivação biliopancreática, por isso a necessidade de mensurar seus valores periodicamente para avaliar o uso de suplementação. Porém, deve-se atentar para os riscos que a hipervitaminose A provocada basicamente pelo consumo excessivo de vitamina A pré-formada (não de carotenóides). A presença de retinol esterificado no plasma de jejum (em associação com lipoproteínas plasmáticas) constitui um indicador precoce de hipervitaminose A. Os sinais de toxicidade podem estar associados ao consumo crônico de doses de até 10 vezes maiores que a RDA, resultantes de consumo exagerado de fígado alimentar ou automedicação. As manifestações da toxicidade por excesso de vitamina A incluem cefaléias, vômitos, diplopia, alopécia, ressecamento das membranas mucosas, descamação, dores ósseas e articulares, alterações hepáticas, hemorragia e coma. A explicação para este processo é que os retinóides podem se inserir, expandir e desestabilizar membranas. Sintomas como dores ósseas e nas articulações podem ser explicados pela ruptura das membranas das células e de organelas intracelulares como os lisossomos. (3)

A hipervitaminose A é igualmente grave à hipovitaminose e pode ser confundida muitas vezes com sintomas típicos da deficiência protéica ou de zinco ou de ácidos graxos essenciais que podem causar a alopécia, por exemplo, e confundir a equipe profissional que atende o paciente e induzi-los ao erro. Vômitos freqüentes também são relacionados à mastigação indequada ou à síndrome de “dumping”. Por isso a necessidade do exame bioquímico realizado regularmente para evitar condutas errôneas que prejudicam o estado nutricional do paciente.

A deficiência de ácido fólico, causando anemia megaloblástica, é pouco comum após a cirurgia da obesidade, atingindo apenas 04% dos operados. Mesmo com esta porcentagem otimista, a prevenção de sua carência é preocupação entre a equipe multiprofissional, especialmente em mulheres em idade reprodutiva. Sabe-se claramente, que sua carência pode afetar a formação do tubo neural do feto, e que como nem todas as gestações são planejadas, podendo a paciente ainda estar obesa, em processo de perda de peso e ter uma gravidez, todo cuidado é pouco para evitar abortos espontâneos.  O ácido fólico, folacina ou ácido pteroilglutâmico é uma vitamina hidrossolúvel, e seu excesso deve ser excretado na urina, e não ser armazenada em tecidos, como ocorre com vitaminas lipossolúveis. Grandes quantidades de ácido fólico em sua forma oxidada, podem resultar em efeitos nocivos ao sistema nervoso, como reverter os efeitos antiepiléticos do fenobarbital, da fenitoína e da primidona e provocar convulsões em pacientes em terapia anticonvulsivante. Doses diárias de 15mg de ácido fólico por dia pode apresentar um efeito convulsivante. Fármacos anticonvulsivantes e o ácido fólico competem pela absorção através das células epiteliais intestinais e na parede das células cerebrais.

A integração entre a equipe multiprofissional é imprescindível, devido a muitos pacientes utilizarem medicações psiquiátricas antes e conseqüentemente após a cirurgia bariátrica e por isso precisarem receber doses controladas de ácido fólico e terem sua avaliação metabólica periódica para excluir os riscos de sua toxicidade.

Outro efeito observado na prática clínica são as alterações dermatológicas, descritas pelos pacientes como um “grosseirão” que manifesta-se em face e costas e que após a suspensão dos suplementos de ácido fólico oferecidos oralmente cessam em no máximo 48 horas.

Após a cirurgia bariátrica, há muita preocupação com a hidratação do operado. Como rotina nutricional, usam-se suplementos que favorecem o equilíbrio hidroeletrolítico do paciente. Alguns, porém, se ingeridos de forma indiscriminada, como o excesso de potássio pode causar parestesias, paralisia e confusão mental, além de arritmia, elevação da onda T e parada cardíaca e dores musculares. (4)

Enfim, para a manutenção da saúde dos obesos submetidos à cirurgia bariátrica, deve-se manter um controle metabólico rigoroso e uma integração plena entre a equipe multiprofissional que o acompanha, para a prevenção de excedentes de micronutrientes que podem comprometer o sucesso cirúrgico e sua saúde global.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. BRAUNSCHWEIG C. Minerals and trace elements. In: MATARESE LE, GOTTSCHLICH, MM. Contemporary Nutrition Support Practice: A Clinical Guide. Philadelphia: Pennsylvania, Saunders, 163 – 73, 1998.
  2. Recomended Dietary Allowances (RDA), 10ª. Ed. Subcommitte on the tenth edition of the RDAs food and nutrition board commission on life sciences. National Research Councial. Washington, DC: NationalAcademy Press, 1989.
  3. SHILS, ME, OLSON, JA, SHIKE, M and ROSS, AC. Tratado de Nutrição Moderna na Saúde e na Doença, 9ª. Ed. Manole, 2003.
  4. WAITZBERG, D Nutrição Oral, Enteral e Parenteral na Prática Clínica 3ª Ed., Atheneu, 2001.

Suplementos Nutricionais e Cirurgia Bariátrica

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A cirurgia bariátrica em suas várias modalidades, exige o uso de suplementos nutricionais diariamente.

O bypass gástrico, padrão ouro da cirurgia, promove emagrecimento através de restrição alimentar, alterações hormonais e especialmente disabsorção intestinal. A falta de parte de duodeno, jejuno e íleo promove carências nutricionais importantes como anemias ferropriva, megaloblástica e perniciosa, queda de cabelos, unhas quebradiças, aparência de doente.

Já o Sleeve ou Manga Gástrica, caracteriza-se pela restrição na ingestão diária, mas mesmo assim pode comprometer os níveis de proteínas, zinco e vitaminas do complexo B.

Ambas as técnicas necessitam do uso contínuo de suplementos nutricionais. Portanto a importância da realização de exames laboratoriais periodicamente e o acompanhamento com a Nutricionista. Assim se pode avaliar como está a ingestão alimentar diária e o que fazer para corrigir e também garantir o uso dos suplementos necessários para a fase.

E quais suplementos deve-se usar? O operado necessita de produtos que sejam de fácil consumo e com sabor agradável. E principalmente que tenha em sua composição nutrientes que constam em seu rótulo. Ou seja, que tenham a segurança de consumir suplementos de qualidade, pois seu estado nutricional depende disso.

1. Polivitamínico: que ofereça o máximo de nutrientes em pequeno volume e que seja de fácil utilização pelo paciente.

2. Ferro: de preferência que venha acompanhado de vitamina C para melhorar a absorção do mineral.

3. Cálcio e vitamina D: normalmente os suplementos de cálcio devem ser usados com cautela. Ideal é sempre monitorar os exames e verificar a necessidade do suplemento. Valorizar sempre o cálcio alimentar.

4. Vitamina B12: a queixa comum entre os operados bariátricos, é o medo da injeção de vitamina B12. O uso da vitamina em comprimido ou sublingual também são bem aceitas.

5. Proteínas: a perda muscular intensa do bariátrico deve ser controlada com o uso de proteínas de alto valor biológico, na forma hidrolisada e isolada.

Operar é um caminho, o melhor tratamento até então descoberto para a perda de peso, mas precisa de monitoramento da ingestão alimentar e dos exames de sangue para manutenção da saúde a longo prazo.

Hiperparatireoidismo Secundário após a Cirurgia Bariátrica

RESUMO – Racional: A cirurgia bariátrica, especialmente a gastroplastia em Y-de-Roux, pode causar complicações nutricionais importantes que derivam da má absorção de nutrientes essenciais. O hiperparatireoidismo secundário é uma delas que cursa com o aumento do hormônio da paratireoide e consequente diminuição de cálcio e vitamina D, o que pode comprometer a saúde óssea. Objetivo: Comparar o tratamento do hiperparatireoidismo secundário com o uso de carbonato e citrato de cálcio. Métodos: Os pacientes foram selecionados a partir de seus exames bioquímicos alterados e o tratamento foi sugerido aleatoriamente com citrato ou carbonato de cálcio. Resultados: Após 60 dias de suplementação foram reavaliados os exames bioquímicos e percebeu-se melhora em ambos os grupos, tanto com citrato como com carbonato de cálcio. Conclusão: Recomenda-se o uso de suplementação de cálcio (citrato ou carbonato) e vitamina D após a operação para prevenção do hiperparatireoidismo secundário.

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Vitamina D

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A vitamina D é um pró hormônio que é sintetizado a partir do colesterol. Isto ocorre quando a forma 7 dehidro do colesterol vai para a pele e interage com os raios ultravioletas. A vitamina D3 e os metabólitos ativos como a 25 hidroxi e o 1,25 dihidroxi colecalciferol são considerados as formas mais potentes. Como a vitamina D é um hormônio esteróide, sua síntese inicia-se com o colesterol.

Para se obter a vitamina D precisamos de alguns veículos como a exposição solar, a alimentação ou os suplementos. Atualmente a incidência da deficiência desta vitamina lipossolúvel (solúvel em gordura) é bastante comum em nossa população, mesmo nos estados mais ensolarados. E por que isso ocorre?

A conscientização da população sobre o câncer de pele trouxe o hábito de usar protetor solar, cada vez com fatores de proteção mais altos o que provoca o bloqueio da síntese de vitamina D. A diminuição do consumo de leite e seus derivados também contribuiu para reduzir o aproveitamento da vitamina D.

Um estudo realizado na Dinamarca em 2013 confirmou que no inverno é natural a diminuição da exposição ao sol e por isso a tendência é diminuir a vitamina D. Mas naquele país, o uso de leite fortificado com vitamina D, diminui o decréscimo da concentração de 25 (OH) D sérica durante o inverno rigoroso e ainda pode aumentar a concentração de 25 (OH) D acima de 50nmol/L em crianças e adultos. Neste estudo 782 pessoas com idades entre 04 e 60 anos foram randomizadas e um grupo recebeu pão e leite fortificados com vitamina D e outro não.

O Institute of Medicine (2010) revisou recentemente as recomendações de ingestão de vitamina D para a população norte americana.

Tabela 1: Alimentos fontes de vitamina D:

Alimento (100g) Quantidade de vitamina D
Salmão selvagem 600 a 1000UI
Salmão de cativeiro 100 a 250UI
Sardinha em lata 300UI
Cavala em lata 250 UI
Atum em lata 230UI
Cogumelo tipo shitake fresco 100UI
Cogumelo tipo shitake seco ao sol 1600UI
Gema de ovo 20UI

Fonte: adaptada de Holick MF Vitamin D deficiency. N Engl J Med 2007; 357 (3): 266 – 81.

Tabela 2: Recomendação de ingestão de vitamina D de acordo com o estágio de vida e idade:

Estágio de vida Idade EAR RDA UL
Crianças 0 a 06 meses 400 UI (10ug) 1000UI (25ug)
06 a 12 meses 400 UI (10ug) 1500UI (38ug)
01 a 03 anos 400 UI (10ug) 600UI (15ug) 2500UI (63ug)
04 a 08 anos 400 UI (10ug) 600UI (15ug) 3000UI (75ug)
Homens e mulheres 09 a 70 anos 400 UI (10ug) 600UI (15ug) 4000UI (100ug)
>70 anos 400 UI (10ug) 800UI (20ug) 4000UI (100ug)
Gestação e lactação 14 a 50 anos 400 UI (10ug) 600UI ( 15ug) 4000UI (100ug)

Fonte: Institute of Medicine in: COZZOLINO S e COMINETTI C. Bases Bioquímicas e Fisiológicas da Nutrição nas diferentes fases da vida, na saúde e na doença. Manole, 2013, SP.

Importante ressaltar que a vitamina D exerce um papel fundamental na fixação do cálcio nos ossos (o que já é bem conhecido), mas existem outras tantas funções igualmente primordiais como prevenção de doenças autoimunes como diabetes melitus, doenças crônico degenerativas, além de sua carência dificultar a perda de peso.

Portanto, mais atenção a esta vitamina! Sol diariamente, pelo menos quinze minutos por dia sem protetor solar, ingestão alimentar satisfatória e suplementos quando necessário.

Referências Bibliográficas:

  1. Institute of Medicine. Dietary reference intake for calcium and vitamin D. Washington, DC: National Academy of Press, 2010.
  2. Holick MF Vitamin D deficiency. N Engl J Med 2007; 357 (3): 266 – 81.
  3. Am J Clin Nutr 2013 98: 383 – 388, 26 junho.
  4. COZZOLINO S e COMINETTI C. Bases Bioquímicas e Fisiológicas da Nutrição nas diferentes fases da vida, na saúde e na doença. Manole, 2013, SP.

 

Nutrição e Bypass Gástrico

estomago e fita metrica

O Bypass Gástrico ou Cirurgia Fobi-Capella é uma técnica cirúrgica para o tratamento da obesidade.

Trata-se de uma técnica mista que tem um componente restritivo e outro disabsortivo, onde uma parte do estômago é grampeada através da videolaparoscopia e há um desvio (by-pass) no intestino. Com esta restrição no tamanho do estômago, a ingestão alimentar é diminuída drasticamente e ainda há uma má absorção intestinal dos nutrientes ingeridos.

São três as formas de eliminar peso: restrição do volume alimentar, diminuição na absorção de nutrientes e isolamento do sítio de produção do hormônio da fome, chamado grelina.

Este é um tratamento efetivo, mas a obesidade é uma doença crônica – NÃO TEM CURA – e por isso somente tem um controle. E hoje o melhor controle é a cirurgia bariátrica.

Com o tempo há um reequilíbrio da produção de grelina tanto pelo cérebro como pelo intestino. Por isso, a mudança no estilo de vida é essencial para manutenção do peso ao longo dos anos.

Como para todas as outras técnicas, é necessário fazer alimentação líquida nos primeiros dias para proporcionar repouso para seu estômago e uma adequada cicatrização.

O by-pass altera a absorção de nutrientes, pois o intestino fará uma absorção diminuída de nutrientes essenciais. Por isso é OBRIGATÓRIO fazer reposição de alguns nutrientes como proteínas, vitaminas do complexo B , ferro, cálcio e vitamina D. Por isso após o procedimento, os pacientes PRECISAM FAZER SUPLEMENTAÇÃO DE NUTRIENTES.

Fale com um especialista e busque perder peso e manter a saúde.

vida saudavel

Nutrição e Sleeve ou Manga Gástrica

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 O Sleeve ou Manga Gástrica é uma técnica cirúrgica para o tratamento da obesidade.

Trata-se de uma técnica restritiva, onde uma parte do estômago é removido através da videolaparoscopia. Com esta restrição no tamanho do estômago, a ingestão alimentar é diminuída drasticamente.

Como para todas as outras técnicas, é necessário fazer alimentação líquida nos primeiros dias para proporcionar repouso para seu estômago e uma adequada cicatrização.

O Sleeve NÃO altera a absorção de nutrientes, pois o intestino permanecerá intacto. Mas a ingestão alimentar diminuída, pode afetar os níveis de alguns nutrientes como proteínas, vitaminas do complexo B e zinco. Por isso após o procedimento, os pacientes PRECISAM FAZER SUPLEMENTAÇÃO DE NUTRIENTES.

Fale com um especialista e busque perder peso e manter a saúde.

vida saudavel

Anemia

imagem anemia

A anemia é uma doença carencial que pode ocorrer por deficiência de três nutrientes: ferro (anemia ferropriva), vitamina B12 (anemia perniciosa) e vitamina B12 e ácido fólico (anemia megaloblástica).

Todas estas carências são muito comuns após a cirurgia bariátrica, especialmente em mulheres em idade reprodutiva.

A única deficiência bastante comum entre homens e mulheres é a de vitamina B12. Seus sintomas variam de esquecimento, irritabilidade, dificuldade em se concentrar e formigamento em mãos e pés. Sua correção deve ser feita periodicamente após a cirurgia bariátrica porque sua deficiência pode causar danos graves e irreparáveis como parar de andar. Suas fontes são apenas alimentos animais como carnes e leite e seus derivados. Somente a ingestão alimentar não é suficiente após a cirurgia. A suplementação é REGRA! Importante também sempre realizar os exames laboratoriais de cobre, porque a sua falta pode gerar a anemia.

A deficiência de ferro pode causar cansaço, falta de ar, mucosas pálidas. Muito comum em mulheres com ciclo menstrual irregular e volumoso. É uma das causar de queda de cabelo e alterações nas unhas das operadas. Algumas recuperam com uso de ferro via oral, mas muitas precisam de ferro endovenoso. A consulta com o ginecologista é essencial para sanar a causa da anemia. Não adianta usar suplementos e continuar sangrando demais. Na alimentação vale reforçar em alimentos de origem animal como fígado, carne de boi e de origem vegetal como castanhas de caju e feijões.

A deficiência de ácido fólico é comum após a cirurgia bariátrica e merece atenção. Este nutriente forma o tubo neural dos bebês e nas mulheres em idade reprodutiva e é obrigatória a sua suplementação. Suas fontes são alimentos verde escuros como couve, repolho, espinafre, mostarda, etc.

Procure um nutricionista especialista para ajudar a identificar e fazer o aconselhamento nutricional adequado! Muitas vezes um erro dietético pode deixar você doente, especialmente como no tratamento da anemia. Muitas interações nutricionais podem intervir no melhor ou pior aproveitamento nutricional.

 

Esteatose Hepática: uma doença silenciosa

bicicleta de alimentos TRATAMENTO: MELHORAR O ESTILO DE VIDA COM ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E ATIVIDADE FÍSICA

A esteatose hepática é uma doença silenciosa, porque muitas pessoas relatam que nunca sentiram nada e só souberam da doença através de uma ecografia abdominal solicitada pelo seu médico.

É uma doença que se caracteriza pelo excesso de gordura no fígado (o fígado fica grande e amarelo) e suas consequências são graves como hepatite gordurosa, cirrose e mais gravemente o câncer.

O que parece mais assustador é que sua causa nem sempre está ligada ao excesso de bebida alcoólica. Muitas pessoas inclusive nunca beberam. As causas vão desde aumento de colesterol e triglicerídeos, síndrome metabólica (diabetes, resistência à insulina, hipertensão arterial, aumento da gordura abdominal, etc).

O tratamento é melhorar a qualidade de vida e a alimentação. A perda de peso pode refletir positivamente no quadro da esteatose hepática não alcoólica (NASH).

A vitamina E pode ser suplementada para auxiliar.

Alguns alimentos são ótimos para auxiliar: chá de boldo, hortelã e chás claros em geral, limão, mamão, abacaxi, goiaba e maçã e temperos como açafrão. Consulte seu nutricionista e saiba mais!