Por quê o sabor doce é tão atrativo?

Você já sentiu aquela vontade louca de comer um doce? Quem nunca?

Imagino que sim. Os chamados “formiguinhas” são as pessoas que relatam esta necessidade de doces e isto pode variar em horários e em quantidades deste alimento. Neste ponto que mora o perigo, porque ter uma boa relação com o doce é conseguir ter um controle sobre o que come, quando come e a quantidade que ingere num único horário. O açúcar não é somente o açúcar branco adicionado no chá ou café. Ele pode estar mascarado em vários alimentos: chocolate, bolos, doce de amendoim, pães, bolachas, tortas, balas, gomas, etc.

O doce é amplamente considerado como de grande qualidade gustativa básica ou primária. Gostar de substâncias com sabor doce é inato, embora as experiências pós-natais possam moldar as respostas. Nesta esteira de pensamento, é proibido oferecer doces às crianças como menos de 3 anos de idade. Na verdade, quanto mais retardar o consumo de doces, melhor será. As crianças acabam modificando a microbiota intestinal muito precocemente quando recebem alimentos doces advindos de carboidratos refinados e de alimentos ultraprocessados antes dos 3 anos de idade. A alimentação nos primeiros 1000 dias torna-se decisiva para a saúde intestinal da criança.

O poder do sabor doce para induzir o consumo e motivar o comportamento é profundo, sugerindo a importância desse sentido para muitas espécies. A maioria dos pesquisadores presume que a capacidade de identificar moléculas doces através do sentido do paladar evoluiu para permitir que os organismos detectem fontes de glicose prontamente disponível nas plantas.

Quando você come açúcar seu pâncreas secreta insulina, o que baixa rapidamente a glicemia e aí seu corpo entra num círculo vicioso, querendo mais açúcar para reequilibrar seu corpo.

Os carboidratos são classificados de forma simplificada em complexos e simples. Os açúcares complexos são os que possuem uma liberação mais lenta no seu organismo e são os pães, massas, arroz. O ideal é que você opte pelos integrais para melhorar sua saciedade e diminuir a absorção de açúcar. Já os açúcares simples são liberados rapidamente como doces, balas, chocolates. Estes devem ter o consumo controlado para evitar um grande prejuízo no seu controle calórico. Caso seu objetivo seja perder peso no tratamento clínico tradicional ou através de uma cirurgia bariátrica, evite ao máximo estes alimentos. Primeiro devido ao seu alto teor calórico e segundo, porque em se tratando de cirurgia bariátrica, você pode desencadear a síndrome de “dumping” com sintomas muito desagradáveis como náuseas, vômitos, diarreia, rubor, taquicardia e até uma sensação de morte.

Pacientes após cirurgia bariátrica ou de tratamento clínico para perda de peso estão super representados no tratamento de abuso de substâncias, constituindo cerca de 3% das internações; cerca de 2/3 desses pacientes negam o uso problemático de substâncias antes da cirurgia por exemplo. É importante avançar nossa compreensão no surgimento de transtornos por uso de substâncias. Pesquisas crescentes com modelos animais e humanos sugerem que o “vício em comida” pode desempenhar um papel em certas formas de obesidade, com risco particular conferido por alimentos ricos em açúcar, mas baixos em gordura. Portanto, a hipótese de que os pacientes que relataram problemas antes da cirurgia com alimentos com alto teor de açúcar / baixo teor de gordura e aqueles com alto índice glicêmico (IG) seriam os que mais provavelmente evidenciam novos distúrbios neurológicos após a cirurgia. Esses achados fornecem evidências da possibilidade de transferência de dependência entre certos pacientes bariátricos.

Alguns fatores podem contribuir para este comportamento:
* não fracionar as refeições: permanecer muito tempo em jejum, pode causar hipoglicemia e seu corpo pode achar que está precisando de açúcar.
* falta de sono: será que seu sono está reparador? Analise se você consegue dormir bem pelo menos 7 a 8 horas por dia! Muitas pessoas que mudam seu turno de trabalho podem aumentar até 10Kg em um ano devido à mudança no ritmo de sono e também das opções alimentares (com muito açúcar!) para manter-se acordado.
* falta de nutrientes: o nutricionista também pode pensar em falta de magnésio e cromo na sua alimentação.
* estilo de vida saudável: exercícios físicos frequentes que possam trazer a mesma sensação de bem estar que os doces promovem.

Referências Bibliográficas:
1. Westwater ML, Fletcher PC, Ziauddeen H. Sugar addiction: the state of the science. Eur J Nutr. 2016 Nov;55(Suppl 2):55-69.
2. Markus CR, Rogers PJ, Brouns F, Schepers R. Eating dependence and weight gain; no human evidence for a ‘sugar-addiction’ model of overweight. Appetite. 2017 Jul 1;114:64-72.
3. Hsu JS, Wang PW, Ko CH, Hsieh TJ, Chen CY, Yen JY. Brain correlates of response inhibition and error processing in females with obesity and sweet food addiction: A functional magnetic imaging study. Obes Res Clin Pract. 2017 Nov-Dec;11(6):677-686.

Niacina ou Nicotinamida ou Vitamina B3

A niacina é uma vitamina do complexo B, solúvel em água que participa de várias reações orgânicas. Compreende as formas amida e ácido da vitamina: a nicotinamida e o ácido nicotínico.
As funções metabólicas da niacina estão relacionadas a seu papel como integrante das coenzimas nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD) e NADP, os quais funcionam como carreadoras de elétrons nas reações de oxidorredução no metabolismo oxidativo. O triptofano pode auxiliar na síntese da niacina. É necessário 60mg de triptofano para sintetizar 1mg de niacina. Participa de inúmeras reações bioquímicas, tem funções terapêuticas e também cosméticas. Você pode encontrá-la em uma grande variedade de alimentos e também como suplemento.

A deficiência de niacina (pelagra) pode gerar os 3 Ds graves: dermatite, diarreia e demência, sendo as principais causas a baixa ingestão de niacina, bem como a de triptofano. Sua deficiência acarreta a pelagra, cujos sintomas consistem em alterações cutâneas, digestivas e neurológicas. Por outro lado, altas doses podem estar associadas a efeitos colaterais como enrijecimento e rubor da pele, prurido, urticária, vômitos, diarreia, timpanismo, constipação, hiperuricemia, hiperglicemia e anomalias da função hepática e ocular.

Suas fontes estão na forma de carboidratos (niacitinas) e peptídeos (niacinogênios), ambos conhecidos como niactinas, as quais possuem baixa biodisponibilidade. Nos alimentos de origem animal, está complexada com dinucleotídeos na forma de NADH e NADPH, os quais possuem alta biodisponbilidade. Fontes: carnes, aves, peixes, fígado, leite, cereais, leguminosas e oleaginosas.

De acordo com a DRIS (Dietary Reference Intakes), a recomendação para o consumo de niacina é de 16 mg/dia para homens adultos e de 14 mg/dia para mulheres adultas.

Na tabela abaixo encontramos alguns alimentos e suas respectivas quantidades de niacina por 100g do alimento.

Teor de niacina de alguns alimentos:

Alimento (100g) Niacina (mg)
arroz branco 1,83
amendoim 12,07
atum grelhado 10,54
aveia 0,96
feijão 0,58
fígado 17,47
filé mignon 3,41
peito de frango 13,21
leite 0,11
lentilha 1,06

FONTE: Tabela de Composição Química dos Alimentos da UNIFESP, 2001.

Em certos alimentos, como o trigo e o milho, a niacina pode estar ligada a macromoléculas, impedindo sua disponibilidade. Perdas da vitamina também podem ocorrer durante o preparo dos alimentos por hidrólise e dissolução na água.

Referências Bibliográficas:

COZZOLINO, SMF E COMINETTI C. Bases Bioquímicas e Fisiológicas da Nutrição. Manole. 2013.

ALMEIDA, L.C; CARDOSO, M.A. Tiamina, Riboflavina e niacina. In: Cardoso MA, coordenadora. Nutrição e metabolismo: nutrição humana. Rio de Janeiro: Guanabara.

SANTOS,R.D. Farmacologia da niacina ou ácido nicotínico. Arquivo Brasileiro de Cardiologia, v.85, n.5, p.17-9, 2005.

Alopécia (queda de cabelos) após a Cirurgia Bariátrica

A cirurgia bariátrica é um tratamento bastante efetivo para a redução de peso e controle de comorbidades. Como a obesidade é uma doença crônica e tem na cirurgia um apoio e tanto para ser controlada, ela exige um cuidado permanente com a alimentação saudável, uso de suplementos nutricionais específicos e exercícios físicos.

Algumas complicações nutricionais são relatadas com frequencia como a queda de cabelo. O fenômeno também chamado de eflúvio telógeno é uma queixa mais comum entre as mulheres. Não há como mensurar a queda de cabelos, mas é importante perceber os fios em ralo de chuveiro, travesseiro e ao pentear os cabelos. Ninguém vai sair contando os fios, mas quando eles aparecem por estes lugares, provavelmente está havendo uma queda expressiva dos fios.

Alguns fatores como o outono/inverno, os banhos mais demorarados e quentes podem piorar a alopécia. Ao contrário do que muitas pessoas pensam e fazem, lavar os cabelos diariamente com xampu transparente é muito importante porque a raiz dos cabelos pode ficar muito oleosa e merece ser bem lavada. Outro fator desencadeante é o estresse diário.

Existem algumas causas nutricionais relacionadas com a cirurgia bariátrica:
– anestesia da cirurgia
– carência de proteínas (por isso é tão importante o uso permanente do Whey Protein)
– falta de vitamina B1, B12, tiamina
– falta de zinco
– anemia por deficiência de ferro
– falta de ácidos graxos essenciais (por isso tão importante usar óleo de canola).

O que precisa ter disciplina é com o acompanhamento periódico com a equipe que te operou. Nas consultas você terá orientações, solicitações de exames, para de antemão descartar qualquer deficiência nutricional. Após a verificação dos exames, a seu registro alimentar é muito útil para entender sua rotina, seus hábitos, se sua ingestão mínima de nutrientes chave estão sendo atingidas. Com a correção da ingestão alimentar e das suplementações, logo você terá bons resultados.

Entretanto se todas estas medidas forem tomadas e ainda assim seus cabelos não pararem de cair dentro de um prazo MÍNIMO DE 2 A 3 MESES, é importante cogitar causas subjacentes como a calvície feminina, alterações em hormônios tireoidianos, doenças imunológicas do couro cabeludo, dentre outras. Tudo isso pode ser investigado paralelamente ao tratamento nutricional, com um dermatologista especialista para auxiliar no diagnóstico e resolução do problema.

1. Jaime Ruiz-Tovar 1, Inmaculada Oller, Carolina Llavero, Lorea Zubiaga, María Diez, Antonio Arroyo, Alicia Calero, Rafael Calpena. Hair Loss in Females After Sleeve Gastrectomy: Predictive Value of Serum Zinc and Iron Levels. Am Surg 2014 May;80(5):466-71.
2. Katsogridaki G, Tzovaras G, Sioka E, Perivoliotis K, Zachari E, Magouliotis D, Tasiopoulou V, Chatedaki C, Zacharoulis D. Loss After Laparoscopic Sleeve Gastrectomy.
Obes Surg. 2018 Dec;28(12):3929-3934.
3. Trost LB, Bergfeld WF, Calogeras E. Diagnosis and treatment of iron deficiency and its potential relationship to hair loss. J Am Acad Dermatol. 2006 May;54(5):824-44

Confinamento, distanciamento social, ansiedade e ingestão alimentar

Em 12 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a humanidade estava diante de uma pandemia pela Sars – Covid 19, uma doença nova, altamente contagiosa e sem nenhum tratamento efetivo ou vacina que pudesse acalmar a população mundial. O pânico foi geral! Foi determinado o distanciamento social como forma de prevenção e o que se pensava que em pouco tempo poderia ser solucionado, tomou dimensões sem precedentes.

Quem pôde foi encaminhado para o trabalho domiciliar, as escolas foram fechadas e milhões de crianças ficaram em casa em home schooling. As crianças ainda com a grande tendência de serem as maiores vetoras da doença sendo assintomáticas tiveram todas as suas atividades suspensas. A princípio os idosos foram considerados o maior fator de risco, associados com comorbidades como pressão alta, diabetes, etc e os obesos ficaram na berlinda como fortes candidatos a terem um pior prognóstico.

Sempre que uma doença nova chega e de repente como esta, estudos técnicos científicos devem ser feitos para determinar etiologia, epidemiologia, e tantas nuances que envolvem o que é, como se transmite e como se faz o tratamento. Até hoje 4/7/2020 já se têm inúmeros projetos adiantados sobre alguns medicamentos, uma vacina vinda de Oxford, uma vacina chinesa para ser testada pelo Instituto Butantã e Fundações como a Lemann que estão investindo pesado em achar uma solução rápida e efetiva para toda a população.

Enquanto isso, ainda temos muitos negacionistas da pandemia, além de uma guerra (totalmente desnecessária) política nos países que não souberam conduzir com serenidade e respeito à ciência o seu país e sua população que se vê desgovernada como é o caso do Brasil. Mas isto é outro assunto….

Como vários segmentos econômicos tiveram que fechar suas portas, o número de desempregados ficou alarmante. Dentro de casa, as pessoas que são feitas de sentimentos e emoções, estão à flor da pele. Houve um aumento considerável de agressões às mulheres, a família precisou se reestruturar rapidamente, uns precisando estudar on line, outros trabalhar ao mesmo tempo e isso se tornou uma fonte de estresse. As desigualdades sociais ficaram bem mais evidenciadas e quem tem seu computador, sua internet banda larga, sua escola ensinando à distância, dinheiro na conta para ter a geladeira cheia, é um privilegiado que nem deveria se queixar de nada.

Entretanto a ansiedade bateu à porta de todos, sem distinção de qualquer natureza. Muitos estão sobrecarregados com trabalho extra com os seus deveres de profissional, de dona (o) de casa, de professor dos filhos e ainda manter a calma e a fé de que tudo ficará bem.

Ao pensar no grupo dos chamados “privilegiados”, a ingestão alimentar se tornou um escape, um conforto. Muitos se dedicaram no tempo livre para cozinhar mais e isso foi bom, mas para aliviar as tensões, o tipo de alimento confortante normalmente é o mais calórico. Associado ao sedentarismo imposto (academias fechadas, necessidade de sair com máscaras), nem as inofensivas caminhadas se tornaram algo seguro. Além disso o sono foi perturbado com tantos acontecimentos.

Comer mais de forma ansiosa + sedentarismo + mudanças no ritmo circadiano com a alteração no sono = AUMENTO DE PESO

O que fazer diante disso?

Primeiro tentar manter a calma e uma certa rotina. NÃO SE COBRE DEMAIS!

Procurar fazer algum exercício em casa, no tapete da sala mesmo com auxílio de algum aplicativo pode ajudar. Criar um horário para isso e respeitá-lo.

Não estamos em férias, a comida deve ser a trivial e com as refeições fracionadas e em horários adequados.

Planeje sua semana para ir à feira, mercado, açougue. Saia uma vez só de casa.

Não precisa ficar escravo da cozinha. Tenha prazer em cozinhar e deixar algumas coisas pré preparadas. Por ex. feijão cozido em potes pequenos. A cada dia você tira do freezer e só tempera a seu gosto. Faça o branqueamento de verduras e (choque de água fria e quente) armazene em porções menores. Assim você terá verduras todos os dias. As folhas podem ser lavadas e colocadas em recipiente limpo na geladeira. Elas se mantém bem durante a semana. As carnes, frango, peixe ou ovos, seria melhor fazer na hora de comer se vc preferir o grelhado. Entretanto se quiser picadinho por ex você já pode deixar pronto para aquecer na hora de comer. Inclua todos os membros da família neste processo, quem não prepara a comida, pode lavar a louça, limpar o fogão, etc. Até os pequenos se sentirão úteis. Isso é um processo, precisa ser conversado antes para ninguém se estressar.

Mantenha sua imunidade em alta com o consumo regular de frutas cítricas ricas em vitamina C como laranja, ponkan, maracujá, limão, etc. Procure usar todos os dias todos os grupos alimentares (proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais, fibras). Não existe um alimento único tão poderoso para te trazer imunidade. O importante é o conjunto de todos os grupos alimentares que você coloca no prato. Não é hora de fazer restrições alimentares severas, apenas preserve uma alimentação saudável.

Cuide da sua saúde mental. Muitos estão afastados de seus entes queridos e a tecnologia pode ajudar: ligue mais, faça vídeos (eu sei que estamos todos cansados) e tente manter os vínculos com familiares e amigos. Mantenha os idosos ocupados e solicitados. Peça para avó aquele cachecol que só ela pode e sabe fazer com carinho, leve um prato que você fez com uma receitinha nova. Pode agradar.

Lava as mãos com água e sabão, use a máscara se precisar sair (mesmo que o presidente ignorante diga que não) e siga estas recomendações abaixo que ainda foram pensadas por um ministro da saúde (agora não temos mais) que podem ser úteis:

Ainda se puder e tiver, mantenha a FÉ, estamos todos juntos nessa. Não é um problema daqui, é no mundo todo! Com força e determinação, nossos cientistas que estão incansáveis debruçados em busca de uma vacina ou de um tratamento medicamentoso efetivo vão conseguir nos ajudar. Faça a sua parte e ajude quem puder, ninguém precisa saber!!!

Alimentação da Mulher

Com a evolução dos tempos, o movimento feminista trouxe as mulheres para o mercado de trabalho após muitas lutas. As mulheres passaram a ocupar um lugar importante na sociedade com a sua organização, determinação e tenacidade em ocupar seus espaços nas empresas, nos consultórios, na nasa lançando foguetes ou onde a mulher queira estar e o que ela queira ser e fazer.

Mas as mulheres ainda possuem outros papéis também igualmente importantes como gerar filhos, cuidar de si e da sua família. Embora muitas obrigações sejam divididas igualmente com os homens, as mulheres modernas estão sobrecarregadas e precisam de um cuidado extra. E um deles é com a sua alimentação.

A alimentação da mulher ao longo da vida deve ser basear em alimentos saudáveis como preconizado pela Pirâmide Alimentar tradicional com macro e micronutrientes em quantidades ótimas para cada faixa etária.

Com o passar dos anos a mulher diminui os níveis de estrogênio ovariano e chega ao climatério e podem ocorrer inúmeros sintomas como ondas de calor, tontura, sudorese, etc. Alterações ósseas que aumentam o risco de osteoporose e cardiovasculares também podem acontecer. Pode ser observado um aumento de colesterol e triglicerídeos nesta fase. O ideal é investir em alimentos frescos  como frutas e legumes, fibras como aveia e linhaça que por ser rica em ácidos graxos essenciais, vitaminas e minerais que pode prevenir inclusive alguns tipos de câncer.

A mulher pode sofrer várias mudanças com redução de massa muscular e aumento da gordura corporal, especialmente na região abdominal.  Por isso é imprenscindível diminuir o consumo de alimentos gordurosos e com açúcar e sal. Deve ser valorizada a ingestão de pelo menos cinco porções de hortaliças e grãos, pelo menos duas porções de fontes de cálcio (verifique o rótulo de leite e iogurtes e consuma os com maior teor de cálcio e baixo teor de gordura.

Outra perda importante é a de colágeno que diminui a elasticidade da pele, aumenta as rugas e a fragilidade articular e óssea. O uso de proteínas de alto valor biológico é essencial como carnes magras e ainda valorizar as fontes de vitamina C e silício como frutas, cereais integrais para estimular a produção de colágeno natural. Um profissional habilitado pode prescrever suplementação se houver necessidade. Os antioxidantes são importantes para diminuir os danos celulares como o ômega 3 através dos peixes, licopeno com tomate e alimentos vermelhos, fitoesteróis e fitoestrógeno como soja, betacaroteno com os alimentos amarelos e vermelhos, vitamina C com frutas cítricas, indóis como brócolis e couve-flor, quercetina como cebolas e uvas e vitamina E com gérme de trigo e vegetais folhosos.

 

Alimentação no exercício físico

Você sabe qual a diferença entre atividade física e o exercício físico? A primeira é toda a atividade que você executa durante o dia, por exemplo arrumar a cama, tomar banho, trabalhar, etc e o segundo é o que fazemos de forma programada, por exemplo a musculação, a corrida, o pilates, etc. Como o passar dos anos, nosso ritmo tanto de atividade quanto de exercício físicos diminuíram com tantas facilidades eletrônicas e a nossa necessidade cada vez maior de trabalharmos fechados, conectados e fatalmente sentados por horas a fio.

O exercício físico diário conhecidamente proporciona muitos benefícios à saúde individual. Iniciar este projeto de vida, incluí-lo e mantê-lo na sua rotina diária é um desafio, que pode ser muito prazeroso e trazer inúmeros ganhos como:

  • aumento da produção de neurotransmissores que promove reparação celular do cérebro;
  • prevenção de acidente vascular cerebral;
  • prevenção de alguns tipos de câncer;
  • melhora a qualidade do sono;
  • aumenta a auto estima;
  • estimula a capacidade de decisão;
  • aumenta a concentração;
  • melhora a memória;
  • promove o crescimento de novas células nervosas e vasos sanguineos;
  • melhora a capacidade de realização de várias tarefas e planejamento das mesmas;
  • menos doença e mais saúde;
  • controle do peso;
  • diminui a pressão arterial;
  • melhora a postura;
  • protege contra a depressão;
  • diminui a ansiedade;
  • entre outros.

Antes de iniciar qualquer exercício físico programado, é ideal que você se submeta a uma avaliação física completa que contemple sua composição corporal, postura, possíveis dores articulares, tudo isso observado por um educador físico que o conduzirá para uma frequencia e intensidade de atividade ideais.

Planejado seu treino, logo vem a dúvida do que comer, quando comer e quanto comer. É uma preocupação coerente, já que o seu rendimento pode estar diretamente ligado ao que você consumiu ou deixou de consumir.

Antes do treino você precisará de uma energia rápida para melhorar sua performance. Para isso use frutas como banana, pêra, melão, papaya, caqui que oferecem vitaminas e minerais, pão integral que oferece carboidratos e proteinas como iogurtes ou queijo branco.

Durante o exercício procure valorizar muito a hidratação com água pura. Caso seu treino seja mais longo (duração maior de 90 minutos) você pode usar carboidratos em gel para oferecer uma energia extra. 

Após o treino priorize proteínas. Se o treino for pela manhã ou final da tarde e logo será seu almoço ou jantar, use carnes magras como frango, peixe ou ovos, além de carboidratos integrais como arroz integral, além e vitaminas e minerais advindo dos vegetais coloridos. Se o treino for à tarde, você pode usar o whey protein em leite ou água e batido com uma fruta como um lanche que fará sua recuperação tecidual.

Mantenha sempre o foco para cumprir seu objetivo diário de exercícios. O recomendado é no mínimo 150minutos por semana. Vamos lá sempre é tempo para começar, amar e nunca mais parar.

Lipídios

Os lipídios ou gorduras são macronutrientes insolúveis em água que fornecem 9Kcal por grama de produto. Por esta razão os lipídios têm sido associados negativamente à saúde, uma vez que a obesidade é muito correlacionada com outras doenças, como as cardiovasculares e o diabetes. Os lipídios alimentares como os ácidos graxos saturados e trans são relacionados com risco de doença cardíaca por sua habilidade em modular as concentrações de LDL-colesterol no sangue.

 

São referidos como óleo (líquido) ou gordura (sólida). 

Podem ser:

a) Insaponificáveis:
▪ Ács. graxos livres
▪ Esteróis
▪ Carotenóides
▪ Monoterpenos
▪ tocoferóis

b) Saponificáveis
▪ Glicerídeos (mono, di e tri)
▪ Fosfolipídio
▪ Glicolipídios
▪ ceras e ésteres de esteróis

Classificação dos óleos:

Azeite de Oliva: é o produto obtido somente dos  frutos da oliveira (Olea europaea L.)
Azeite de Oliva virgem é o produto obtido do fruto da oliveira (Olea europaea L.), somente por processos mecânicos ou outros meios físicos.
Óleos Mistos ou Compostos são os produtos obtidos a partir da mistura de óleos de duas ou  mais espécies vegetais.
Óleos Vegetais e Gorduras vegetais com especiarias: são os óleos e gorduras vegetais adicionados de especiarias.
Resolução RDC nº 270, de 22 de setembro de 2005

Suas fontes são óleos derivados de plantas como palma, oliva ou sementes como milho e soja. Também há gorduras em carnes, frango, etc, leite e derivados e fontes marinhas como óleo de peixe, de foca e de baleia.

  • Óleo de Soja: um dos mais utilizados na alimentação domiciliar e indústria de alimentos. Tem alto teor de ácido linoléico (ômega 6), ácido oleico (ômega 9) e ácido linolênico (ômega 3).
  • Óleo de Palma: rico em vitamina E (tocoferóis e tocotrienóis). Está presente no azeite de dendê, é vastamente utilizado na indústria de alimentos como ingrediente de margarinas, sorvetes e bolachas.
  • Óleo de Canola: tem 7 a 10% de ômega 3, há evidências de que pode reduzir o LDL colesterol (colesterol ruim), rico em vitamina E tem propriedades antioxidantes. Como o óleo de soja pode ser utilizado de forma adequada para frituras.
  • Óleo de Girassol: apresenta alto teor de ácido linoleico e vitamina E. Muito utilizado na preparação de saladas, cozidos e conservas.
  • Óleo de Milho: é fonte de fitosteróis e contém ácidos graxos poli-insaturados linoléico e linolênico.
  • Óleo de Amendoim:  com alto teor de vitamina E, além de ser utilizado nas preparações de saladas e pratos especiais é beneficiado pela indústria farmacêutica e cosmética.
  • Óleo de Coco:  em temperaturas abaixo de 25°C se solidifica. Traz benefícios a saúde como fortalecimento do sistema imune. O óleo de coco extra virgem tem em sua composição o ácido láurico, mirístico e caprílico. Ainda que alguns estudos correlacionem o consumo do óleo de coco ao aumento do HDL colesterol (colesterol bom), não é recomendado seu uso para tratamento de hipercolesterolemia, sendo necessários estudos adicionais, por isso seu uso deve permanecer moderado.
  • Azeite de Oliva:  é tido como uma das opções mais saudáveis para uso culinário por ser rico em gordura monoinsaturada, que auxilia a reduzir os níveis de LDL colesterol. O artigo publicado pela equipe do Dr Freeman no Journal of the American College of Cardiology, em março de 2017, reforça seus benefícios pois refere que o consumo moderado de azeite extra virgem pode diminuir eventos de doenças cardiovasculares.

Sua classificação é:

  • Lipídios Simples. Ex. ac. graxos e ceras
  • Lipídios compostos. Ex fosfolipídeos
  • Lipídios derivados. Ex.carotenóides

Composição de ácidos graxos de diferentes óleos vegetais
                                                                                AG SATURADO (%)              AG POLIINSATURADO (%)               AG MONOINSATURADO (%)            PONTO DE FUMAÇA*
ÓLEO DE CANOLA                                                               7                                                               30                                                            59                                                                   213 – 223
ÓLEO DE GIRASSOL                                                         10                                                               40                                                            45                                                                   226 – 232
ÓLEO DE MILHO                                                               13                                                               59                                                            24                                                                    204 – 212
ÓLEO DE SOJA                                                                   14                                                               58                                                            23                                                                   226 – 232
ÓLEO DE ALGODÃO                                                        26                                                               52                                                            18                                                                    218 – 228
ÓLEO DE COCO                                                                 87                                                                 2                                                              6                                                                     170 – 177
AZEITE DE OLIVA                                                            14                                                                 8                                                             74                                                                    175 – 190
*Aparecimento de fumaça branco-azulada

São importantes para várias funções orgânicas como crescimento, desenvolvimento  e a manutenção da saúde.

Os ácidos graxos de cadeia curta são produzidos pela microbiota intestinal e possuem papéis anti-inflamatórios. Ex. Acético (2C), propiônico (3C) e butírico (4C). Uma vez formados são rapidamente absorvidos no jejuno, íleo, cólon e reto e constituem a principal fonte de energia para o enterócito. Estimulam a proliferação celular do epitélio, o fluxo sanguíneo visceral, aumentam a absorção de água e sódio, diminuem a absorção de amônia, importante em pacientes com encefalopatia hepática e insuficiência renal. Estimulam a absorção de vitamina K e magnésio pela acidificação do ambiente luminar. Diminuem o colesterol sérico pelo propionato e possuem propriedades antibacterianas prevenindo o estabelecimento de bactérias patogênicas como espécies de salmonela.

 

 

Referências bibliográficas:
– Freeman, A.M. et al. Trending Cardiovascular Nutrition Controversies. J Am Coll Cardiol. 2017;69(9):1172–87.
 – Iori M, Caleffi R, Naves A. Gastronomia Funcional no esporte: Alimento para sua performance. 1ª Edição. São Paulo. Valeria Paschoal Editora Ltda, 2017.
 – Melo ILP, Silva AMO, Filho JM. Lipídios. In: Cozzolino SMF, Cominetti C. Bases Bioquímicas e Fisiológicas da Nutrição: nas diferentes fases a vida, na saúde e na doença. São Paulo: Manole, 2013.
 – Nogueira-de-Almeida CA et al. Azeite de Oliva e suas propriedades em preparações quentes: revisão da literatura. International Journal of Nutrology. 2015; 8 (2): 13-20.
 – Sacks FM et al. Dietary Fats and Cardiovascular Disease: A Presidential Advisory From the American Heart Association. Circulation. 2017;136(3).
 – Santos R.D., Gagliardi A.C.M., Xavier H.T., Magnoni C.D., Cassani R., Lottenberg A.M. et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz sobre o consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular. Arq Bras Cardiol. 2013;100(1Supl.3):1-40.
 – Tanaka M et al. O papel dos óleos e gorduras na alimentação. In: Barrere APNB, Cardoso R, Piovacari SMF. Receitas Saudáveis Em Oncologia. 1ª Edição. São Paulo. Editora Atheneu, 2017.

 

 

O segredo do sucesso após a cirurgia bariátrica – parte I

Quando você decide que o procedimento cirúrgico é uma opção e que você será beneficiado (a) pelo método, parabéns, você está no caminho certo, desde que compreenda alguns pontos bem importantes e esteja aberto a fazer concessões no seu hábito de vida diário.

Primeiro entenda que A OBESIDADE NÃO TEM CURA, MAS TEM CONTROLE! A obesidade têm tratamentos e um deles é a cirurgia, que por sinal é o melhor e mais efetivo deles, mas exige critérios de seleção do paciente bem delimitados.

As técnicas mais aplicadas como Bypass gástrico ou Sleeve Gástrico são um caminho para o controle da obesidade.

Quem se propõem a fazer um procedimento cirúrgico precisa estar muito consciente que a cirurgia vai impor limites alimentares e exigir um exercício físico muito disciplinado para obter resultados realmente eficazes. E esta mudança comportamental é para SEMPRE.

Eu como profissional, me preocupo muito com afirmações como:

– “Já tentei várias dietas. ”

– “Não quero me submeter a mais dietas.”

-” Quando estou em dieta eu como frutas e verduras.”

– “Sempre tem frutas lá em casa, mas não como por falta de hábito.”

– “Quando eu me dediquei fazendo dieta e exercício físico eu até perdi peso, mas depois desanimei e voltei a engordar.”

– “Eu nunca mantenho meu emagrecimento porque minha família come muito e eu sempre tenho que fazer dieta e nem sempre eu consigo.”

– “Detesto musculação, na verdade não suporto academia.”

– “Faço caminhadas diárias quando o tempo está bom.” (Moramos em Curitiba e temos quatro estações num único dia, resumo: este exercício físico não está funcionando direito)

– ” Não tenho disciplina para usar medicamentos, esqueço sempre.”

Primeiro ponto:

A palavra DIETA significa o hábito alimentar e NÃO uma restrição somente. Portanto NÃO é adequado alguém acreditar que fazer DIETA, é somente ter uma restrição alimentar. Esta palavra é muito difundida entre os profissionais da saúde e soa SEMPRE para o paciente com parar de comer ou comer alimentos ruins.

HÁBITO É BANHO, É ESCOVAR DENTES. Você tem coragem de sair de casa sem tomar banho ou sem escovar os dentes?

E por quê acreditar que comer frutas, verduras, alimentos integrais é fazer dieta monótona que só serve para quando você quer emagrecer. Comer frutas e verduras NÃO é ruim, é um hábito dietético que possibilita o aumento do consumo de fibras e com isso seu intestino agradece. Mas que pena que você não enxerga seu intestino. Se o visse ficaria horrorizado. Nós temos trilhões de bactérias no nosso intestino, entre boas e más bactérias. E quando não consumimos fibras de forma adequada as bactérias más fazem a festa. Neste desequilíbrio, seu peso aumenta, sua pressão arterial pode descontrolar, seu colesterol pode aumentar, você pode ter um risco maior de ter diabetes e esteatose hepática. Resumo: nutrir o intestino com fibras é bastante inteligente. E NÃO É DIETA, é simplesmente FUNDAMENTAL PARA MANTER SUA SAÚDE.

Segundo ponto:

Nosso corpo é composto de água, minerais, proteínas, gordura, músculos e ossos e precisa de exercícios físicos diários. Não tem como ignorar isso. Se você fizer a cirurgia e perder muito peso em pouco tempo e não fizer musculação acompanhada de exercícios aeróbicos, você perderá basicamente músculos e água e você ficará o chamado “falso magro”, aquele que pode engordar no primeiro doce que comer. Músculo gasta energia e gordura não. Precisamos construir nossos músculos todos os dias.

Terceiro ponto:

Após a cirurgia É OBRIGATÓRIO E PARA SEMPRE o uso de suplementos nutricionais como polivitamínico, ferro, cálcio, complexo B e whey protein. Você precisará de disciplina para dosar seus exames periodicamente e fazer consultas com a equipe que o acompanha para prevenir deficiências nutricionais como anemias carenciais, queda de cabelos, alterações em pele, unhas, ossos, memória, disposição etc.  E muitos dos suplementos são via oral. Portanto a disciplina para usar os suplementos é indiscutível.

Quarto ponto: 

Você pode ter uma expectativa de que hoje você opera e amanhã estará no peso ideal, mas não é assim. Você pode percorrer um longo caminho e ter complicações variadas como náuseas, vômitos, refluxo, síndrome de “dumping”, desidratação, diarreia, constipação, intolerância à lactose, fadiga, cansaço, esquecimento, irritabilidade (sim, alimentos líquidos te irritam por você não poder mastigar).

Quinto ponto:

Existem sim alimentos e comportamentos proibidos após a cirurgia:

  • bebida alcoólica
  • bebidas gaseificadas como água com gás, refrigerantes.
  • doces em geral
  • alimentos fritos
  • carnes gordurosas
  • ser sedentário
  • ficar beliscando o tempo todo

Sexto ponto:

E vale a pena tudo isso? Pode ter CERTEZA QUE SIM! Em 23 anos de trabalho, nunca vi um paciente sequer se arrepender depois de mostrar a si mesmo que é capaz e que pode mudar de vida. Desde um simples ato de sentar e dobrar as pernas, ter um assento confortável num avião sem ficar constrangido, ter sua saúde de volta sem pressão alta, sem diabetes, com o fígado trabalhando feliz, e sua auto estima nas alturas. Agora NUNCA deixem ninguém falar a você que optou e precisou da cirurgia como alguém que percorreu o caminho mais fácil. Só você sabe de toda a disciplina e responsabilidade que tem com o seu tratamento. E só você pode fazer isso por você mesmo, jamais delegue ou justifique não ter feito por culpa de alguém. Nós somos responsáveis por tudo o que acontece em nossas vidas.

 

 

 

 

 

 

Vegetarianismo e Cirurgia Bariátrica: Experiência Indiana

Vegetarianismo e Cirurgia Bariátrica: Experiência Indiana

A cirurgia bariátrica causa um impacto no estado nutricional dos pacientes com diminuição da ingestão alimentar, intolerância alimentar, aversões alimentares, compulsão por doces, diminuição da absorção de vitaminas, minerais e macronutrientes.

Em populações como a Índia que majoritariamente é vegetariana, sendo 75% de lactovegetarianos, 25% de ovo lactovegetariano e 1% veganos, há uma maior incidência de anemia ferropriva. Após a cirurgia bariátrica 31% dos pacientes pioram o quadro de anemia ferropriva.

As causas da anemia ferropriva são várias. O ácido gástrico converte o ferro férrico em ferroso e absorção do ferro se dá no duodeno e jejuno proximal. Com as técnicas de Bypass Gástrico e Sleeve Gástrico  este processo fica comprometido. O ferro usado precisa ser o não heme, de fontes vegetais. A recomendação de ferro para homens adultos é de 17mg/dia e 21mg/dia para mulheres. Ideal é usar as fontes de suplementação de ferro na forma fumarato ou glicinato e após a cirurgia bariátria, estas recomendações para 28 a 30mg/dia, associados de vitamina C para facilitar a absorção intestinal.

Outra deficiência muito comum é a vitamina B12, que está presente em fontes animais como carne, frango, peixe, ovos, leite e derivados. Na população indiana em geral a deficiência varia 35 a 75%. Após  a cirurgia, em média 37% dos indianos têm a deficiência. O vegetarianismo é o estilo de vida do indiano e o uso de B12 adicional deve ser permanente. Duas formas de suplementação são usadas: adenosilcobalamina e metilobalamina. Tanto no Bypass Gástrico quanto no Sleeve há uma redução importante no fator intrínseco e no número de células parietais, o que prejudica ainda mais o aproveitamento da vitamina B12. No Bypass há desvio do íleo e inviabiliza a absorção desta vitamina. O uso de suplementação de B12 é mandatório e permanente. A RDA para adultos é de 1mcg/d, mas após a cirurgia bariátrica a necessidade é de 500 a 1000mcg intramuscular pelo menos a cada 15 dias. Apresentação nasal ou sublingual  de 1000 a 1200mcg/dia pode ser uma dose de manutenção. No Brasil temos suplementos que abrangem o complexo B: vitaminas B1, B6 e B12, o que torna mais efetiva a suplementação, lembrando que não é possível dosar os exames bioquímicos de todas as vitaminas e as deficiências podem ocorrer simultaneamente.

As proteínas são outra preocupação. A ingestão dos indianos baseia-se em cereais e leguminosas, que podem ser incompletas em aminoácidos essenciais como lisina e triptofano. A diminuição da secreção de ácido clorídrico do estômago, assim como pepsina, que faria o desdobramento das proteínas em pequenos polipeptídeos. As proteínas são absorvidas no intestino e a desnutrição protéica ocorre por vários motivos como intolerâncias e aversões alimentares, estado socio econômico, vômitos e diarreia. Alguns sinais de deficiência protéica são alopecia, perda do tônus muscular e perda muscular como um todo. A deficiência nutricional extrema pode levar a edema em membros inferiores e anasarca. A recomendação nutricional após a bariátrica é de 1 – 1,5g/Kg/d.

E como atingir as necessidades diárias de ferro, vitamina B12 e proteínas em pacientes vegetarianos?

Algumas fontes vegetais pode ser usadas como:

ALIMENTO (100g) QUANTIDADE DE PROTEÍNAS (g)
FEIJÃO 4,5 – 6,1
LENTILHA 6,3
TOFU 6,6
GRÃO DE BICO 8,9
QUINOA 4,4
AMÊNDOAS 18,6
CASTANHA DE CAJU 18,5
CASTANHA DO PARÁ 14,5
CHIA 17
BRÓCOLIS 2,1
VAGEM / ERVILHA 7,5

O whey vegano feito de ervilha também é uma boa opção protéica para complementar.

 

Modelo de Prato Bariátrico

O Modelo de Prato Bariátrico foi criado pela Dra. Maria Paula Carlin Cambi e Dr. Giorgio Baretta e publicado em 

Cambi MPC, Baretta GAP. Guia alimentar bariátrico: modelo do prato para pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. ABCD Arq Bras Cir Dig. 2018;31(2):e1375. 

https://doi.org/10.1590/0102-672020180001e1375

Como o objetivo de facilitar o entendimento dos pacientes sobre a orientação nutricional, foi sugerido uma ilustração de como compor o prato diário.

A prioridade sempre é a proteína que deve ser ingerida por primeiro (de alto valor biológico: fontes animais como carnes, leite e seus derivados) e de baixo valor biológico (grãos como feijão, grão de bico, ervilha, soja, lentilha), em segundo lugar as vitaminas e minerais (frutas e verduras bem coloridas e variadas) e por fim os carboidratos que são estimulados na forma integral para melhorar a saciedade, nutrir o intestino e diminuir a absorção de açúcares e gorduras.