Países desenvolvidos e em desenvolvimento sofrem com a franca expansão dos casos de obesidade em seus territórios. A obesidade infantil é alvo de muitas políticas públicas de intervenção nutricional nas escolas, o que a longo prazo podem repercutir positivamente na saúde destes futuros adultos.

Porém, ainda temos muitos adultos que por uma etiologia diversa podem estar obesos e com graves doenças associadas como pressão alta, diabetes melitus e dislipidemia. Muitos estão em núcleos familiares de histórico genético de obesidade, mas principalmente encontram-se num meio nutricional bastante equivocado. Os hábitos alimentares dos pais refletem de imediato nas escolhas feitas pelos filhos. E isto se transmite de geração a geração.

Um tratamento já consagrado na comunidade científica é a cirurgia da obesidade. Mas como todo forma de cuidado de uma doença, exigirá um feedback bastante significativo do operado. Uma forma de avaliar se uma pessoa precisa da cirurgia é através do seu índice de massa corpórea (IMC). A conta é simples:

IMC (Kg/m2 ): Peso (Kg)

                             Altura2 (m)

A indicação cirúrgica de acordo com a Organização Mundial de Saúde e também da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Obesidade, tem como critério:

 

Em relação ao índice de massa corpórea (IMC)

  • IMC acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidades.
  • IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades.
  • IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades que tenham obrigatoriamente a classificação “grave” por um médico especialista na respectiva área da doença. É também obrigatória a constatação de “intratabilidade clínica da obesidade” por um endocrinologista.

 

Em relação à idade

  • Abaixo de 16 anos:exceto em caso de síndrome genética, quando a indicação é unânime, o Consenso Bariátrico recomenda que, nessa faixa etária, os riscos sejam avaliados por cirurgião e equipe multidisciplinar. A operação deve ser consentida pela família ou responsável legal e estes devem acompanhar o paciente no período de recuperação.
  • Entre 16 e 18 anos:sempre que houver indicação e consenso entre a família ou o responsável pelo paciente e a equipe multidisciplinar.
  • Entre 18 e 65 anos:sem restrições quanto à idade.
  • Acima de 65 anos:avaliação individual pela equipe multidisciplinar, considerando risco cirúrgico, presença de comorbidades, expectativa de vida e benefícios do emagrecimento.

 

Em relação ao tempo da doença

Apresentar IMC e comorbidades em faixa de risco há pelo menos dois anos e ter realizado tratamentos convencionais prévios. Além disso, ter tido insucesso ou recidiva do peso, verificados por meio de dados colhidos do histórico clínico do paciente.

 

CONTRAINDICAÇÕES

As situações abaixo configuram condições adversas à realização de procedimentos cirúrgicos para o controle da obesidade:

  • limitação intelectual significativa em pacientes sem suporte familiar adequado;
  • quadro de transtorno psiquiátrico não controlado, incluindo uso de álcool ou drogas ilícitas; no entanto, quadros psiquiátricos graves sob controle não são contraindicativos à cirurgia;
  • doenças genéticas.

Fonte: site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

O padrão ouro da cirurgia é a de “Capella” ou Bypass Gástrico. Ela baseia-se em restrição do tamanho do estômago e diminuição da área de absorção intestinal. Este processo reflete na dimuinuição direta na ingestão calórica e o pouco que se come não é totalmente absorvido pelo intestino. E isto é importante para diminuir a absorção calórica e promover a perda de peso.

Contudo, faz-se necessário um cuidado nutricional intenso para proporcionar o emagrecimento esperado e manter a saúde a longo prazo. Muitas vitaminas e minerais que são essenciais são perdidas neste processo, o que demanda o uso contínuo de suplementos nutricionais adequados.

O uso de cardápios adequados para cada fase faz-se necessário.

No período pós operatório imediato indica-se uma alimentação líquida em pequenos volumes. Lentamente o paciente inicia com alimentação pastosa, progredindo para alimentação branda (de alimentos cozidos) até chegar à alimentação normal (com alimentos cozidos e crus).

 Algumas deficiências nutricionais podem ser encontradas como anemias carenciais (falta de ferro, vitamina B12, ácido fólico), alopécia (queda de cabelo acentuada), unhas quebradiças, alterações na pele, deficiência de vitaminas A, D, E e K. Para evitar estas complicações o paciente operado deve manter o acompanhamento nutricional periódico para fazer as reposições nutricionais adequadas.

Muitos mitos existem em torno da cirurgia da obesidade. Um deles é se a mulher operada poderá engravidar após a cirurgia. A resposta é que com certeza a mulher operada poderá engravidar, desde que mantenha seu tratamento e que faça as reposições nutricionais adequadas ao seu novo estado. Outro mito é que os operados não conseguem mais comer carne. Todos poderão comer carnes desde que bem mastigadas e preparadas. Mais uma dúvida frequente é a respeito da queda de cabelo que pode ser definitiva. Isto não é verdade, pode haver uma queda de cabelo tolerável e facilmente contornável com suplementos nutricionais.

Enfim, a cirurgia pode trazer inúmeros benefícios desde que o operado mantenha o tratamento adequado e associe à alimentação saudável, o exercício físico frequente. Esta combinação proporcionará a perda ponderal adequada e a manutenção da saúde a longo prazo.