Confinamento, distanciamento social, ansiedade e ingestão alimentar

Em 12 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a humanidade estava diante de uma pandemia pela Sars – Covid 19, uma doença nova, altamente contagiosa e sem nenhum tratamento efetivo ou vacina que pudesse acalmar a população mundial. O pânico foi geral! Foi determinado o distanciamento social como forma de prevenção e o que se pensava que em pouco tempo poderia ser solucionado, tomou dimensões sem precedentes.

Quem pôde foi encaminhado para o trabalho domiciliar, as escolas foram fechadas e milhões de crianças ficaram em casa em home schooling. As crianças ainda com a grande tendência de serem as maiores vetoras da doença sendo assintomáticas tiveram todas as suas atividades suspensas. A princípio os idosos foram considerados o maior fator de risco, associados com comorbidades como pressão alta, diabetes, etc e os obesos ficaram na berlinda como fortes candidatos a terem um pior prognóstico.

Sempre que uma doença nova chega e de repente como esta, estudos técnicos científicos devem ser feitos para determinar etiologia, epidemiologia, e tantas nuances que envolvem o que é, como se transmite e como se faz o tratamento. Até hoje 4/7/2020 já se têm inúmeros projetos adiantados sobre alguns medicamentos, uma vacina vinda de Oxford, uma vacina chinesa para ser testada pelo Instituto Butantã e Fundações como a Lemann que estão investindo pesado em achar uma solução rápida e efetiva para toda a população.

Enquanto isso, ainda temos muitos negacionistas da pandemia, além de uma guerra (totalmente desnecessária) política nos países que não souberam conduzir com serenidade e respeito à ciência o seu país e sua população que se vê desgovernada como é o caso do Brasil. Mas isto é outro assunto….

Como vários segmentos econômicos tiveram que fechar suas portas, o número de desempregados ficou alarmante. Dentro de casa, as pessoas que são feitas de sentimentos e emoções, estão à flor da pele. Houve um aumento considerável de agressões às mulheres, a família precisou se reestruturar rapidamente, uns precisando estudar on line, outros trabalhar ao mesmo tempo e isso se tornou uma fonte de estresse. As desigualdades sociais ficaram bem mais evidenciadas e quem tem seu computador, sua internet banda larga, sua escola ensinando à distância, dinheiro na conta para ter a geladeira cheia, é um privilegiado que nem deveria se queixar de nada.

Entretanto a ansiedade bateu à porta de todos, sem distinção de qualquer natureza. Muitos estão sobrecarregados com trabalho extra com os seus deveres de profissional, de dona (o) de casa, de professor dos filhos e ainda manter a calma e a fé de que tudo ficará bem.

Ao pensar no grupo dos chamados “privilegiados”, a ingestão alimentar se tornou um escape, um conforto. Muitos se dedicaram no tempo livre para cozinhar mais e isso foi bom, mas para aliviar as tensões, o tipo de alimento confortante normalmente é o mais calórico. Associado ao sedentarismo imposto (academias fechadas, necessidade de sair com máscaras), nem as inofensivas caminhadas se tornaram algo seguro. Além disso o sono foi perturbado com tantos acontecimentos.

Comer mais de forma ansiosa + sedentarismo + mudanças no ritmo circadiano com a alteração no sono = AUMENTO DE PESO

O que fazer diante disso?

Primeiro tentar manter a calma e uma certa rotina. NÃO SE COBRE DEMAIS!

Procurar fazer algum exercício em casa, no tapete da sala mesmo com auxílio de algum aplicativo pode ajudar. Criar um horário para isso e respeitá-lo.

Não estamos em férias, a comida deve ser a trivial e com as refeições fracionadas e em horários adequados.

Planeje sua semana para ir à feira, mercado, açougue. Saia uma vez só de casa.

Não precisa ficar escravo da cozinha. Tenha prazer em cozinhar e deixar algumas coisas pré preparadas. Por ex. feijão cozido em potes pequenos. A cada dia você tira do freezer e só tempera a seu gosto. Faça o branqueamento de verduras e (choque de água fria e quente) armazene em porções menores. Assim você terá verduras todos os dias. As folhas podem ser lavadas e colocadas em recipiente limpo na geladeira. Elas se mantém bem durante a semana. As carnes, frango, peixe ou ovos, seria melhor fazer na hora de comer se vc preferir o grelhado. Entretanto se quiser picadinho por ex você já pode deixar pronto para aquecer na hora de comer. Inclua todos os membros da família neste processo, quem não prepara a comida, pode lavar a louça, limpar o fogão, etc. Até os pequenos se sentirão úteis. Isso é um processo, precisa ser conversado antes para ninguém se estressar.

Mantenha sua imunidade em alta com o consumo regular de frutas cítricas ricas em vitamina C como laranja, ponkan, maracujá, limão, etc. Procure usar todos os dias todos os grupos alimentares (proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais, fibras). Não existe um alimento único tão poderoso para te trazer imunidade. O importante é o conjunto de todos os grupos alimentares que você coloca no prato. Não é hora de fazer restrições alimentares severas, apenas preserve uma alimentação saudável.

Cuide da sua saúde mental. Muitos estão afastados de seus entes queridos e a tecnologia pode ajudar: ligue mais, faça vídeos (eu sei que estamos todos cansados) e tente manter os vínculos com familiares e amigos. Mantenha os idosos ocupados e solicitados. Peça para avó aquele cachecol que só ela pode e sabe fazer com carinho, leve um prato que você fez com uma receitinha nova. Pode agradar.

Lava as mãos com água e sabão, use a máscara se precisar sair (mesmo que o presidente ignorante diga que não) e siga estas recomendações abaixo que ainda foram pensadas por um ministro da saúde (agora não temos mais) que podem ser úteis:

Ainda se puder e tiver, mantenha a FÉ, estamos todos juntos nessa. Não é um problema daqui, é no mundo todo! Com força e determinação, nossos cientistas que estão incansáveis debruçados em busca de uma vacina ou de um tratamento medicamentoso efetivo vão conseguir nos ajudar. Faça a sua parte e ajude quem puder, ninguém precisa saber!!!