A obesidade vem sendo tratada como uma epidemia que acomete crianças, adolescentes e adultos em diversas faixas etárias. As razões pelo aumento abrupto da incidência de obesidade incluem a expansão da indústria alimentícia oferecendo muitos produtos diferentes, que invadem a mídia diariamente e favorecem temporariamente a falta de tempo que as famílias possuem para dedicar-se ao preparo e consumo de alimentos naturais e possivelmente mais saudáveis. Ainda acrescido a este fato, existe o sedentarismo, tão comum entre as pessoas atualmente, já que possuímos facilidades enormes para adquirirmos nossos alimentos, carros com vidro elétrico, controle remoto e muito mais tempo despendido para a televisão ou jogos eletrônicos, no caso das crianças. Além disso, existem outras causas para a obesidade como a genética, alterações hormonais que vem sendo estudadas exaustivamente para a busca do tratamento ideal para esta doença.

Com isso os tratamentos para obesidade estão oferecendo novas opções de acompanhamento que possam permitir uma reestruturação alimentar, um incentivo à atividade física programada, além do acompanhamento psicológico ou psiquiátrico necessário para o tratamento de transtornos alimentares. Dentre os tratamentos atuais está o balão intragástrico (BIB) que tem sido usado no Brasil recentemente para o tratamento da obesidade. Foi criado na Itália para o tratamento de obesos mórbidos que não tinham condições clínicas para submeter-se à cirurgia bariátrica. Hoje vem sendo usado amplamente para o auxílio de pessoas com sobrepeso.

O BIB é uma prótese de silicone, que proporciona apenas a restrição da ingestão alimentar e não afeta a absorção dos nutrientes. Seu objetivo é causar uma sensação de plenitude (estômago cheio). O paciente sente-se satisfeito mais rapidamente quando se alimenta.

 É indicado para:

  • Pacientes com IMC abaixo de 35 que não respondem ao tratamento clínico por mais de três anos;
  • Pacientes com IMC maior que 35 que não tem condições de serem submetidos à cirurgia por contra-indicação médica;
  • Ou ainda aqueles pacientes que não querem se submeter à cirurgia (estes tem pouco sucesso).

Com o BIB há necessidade de um acompanhamento nutricional antes e após a sua colocação. Para evitar os desconfortos que freqüentemente ocorrem nos primeiros dois a três dias após a sua colocação, deve-se fazer previamente uma dieta branda com alimentos cozidos para proporcionar repouso gastrointestinal. Lentamente o paciente consegue alimentar-se em pequenas quantidades com dieta líquida clara e em sete dias já inicia com dieta pastosa e consistência normal de acordo com a tolerância individual. Há necessidade de dieta de baixa caloria no período de permanência do BIB e ainda a colaboração do paciente em seguir as orientações nutricionais e a motivação para a atividade física freqüente. Tanto uma como outra devem ser programadas individualmente de acordo com o paciente.

Existem vários padrões alimentares diferentes, que devem ser monitorados atentamente, como por exemplo os “sweet eaters”, ou seja, comedores de doces, os “night eaters”, que consomem alimentos em grande quantidade no período noturno, particularmente após as 18:00h e também existem os que adoram um bom churrasco acompanhado de muita cerveja, dentre outros. São estilos diferentes de alimentar-se, mas que convergem para o mesmo problema: inúmeras calorias extras que promovem o ganho de peso de forma exponencial. A reeducação alimentar deve ser lenta e progressiva. É difícil mudar todos os hábitos de uma só vez e é para isto que o paciente deve ser orientado pelo Nutricionista que conduzirá estas mudanças. Porém, é importante ressaltar que a equipe multiprofissional será fundamental para o sucesso dos resultados, porque diante de um distúrbio alimentar, outras abordagens devem ser realizadas.

O BIB auxilia como um estímulo para a manutenção de dieta de baixa caloria, já que oferece saciedade precoce e funciona com um “freio” quando a vontade de comer excede a capacidade volumétrica do estômago com o balão. Podem ocorrer náuseas e vômitos sempre que a quantidade alimentar exceder ao recomendado. Este último sintoma é maléfico para o organismo já que facilita a perda de vitaminas e minerais e é bastante desagradável. Com isso lentamente, o paciente com BIB acaba reeducando-se nutricionalmente a comer devagar, mastigando demasiadamente os alimentos e sentindo-se saciado com mais rapidez e conseqüentemente emagrecendo.

A perda de peso é variável de pessoa para pessoa, já que possuímos gasto de energia diferentes, além de sofrermos a interferência de fatores como idade e sexo. Percebemos que as mulheres por terem mais tecido gorduroso que os homens, perdem peso mais lentamente, mais podem ser bastante beneficiadas com exercícios físicos freqüentes. Outro fator é a idade, sendo que os mais jovens possuem uma capacidade de perda de peso maior, comparados com os mais velhos. Porém, todos podem atingir seus objetivos de peso corporal com disciplina e tratamento adequados, lembrando que a reestruturação da alimentação é primordial para o sucesso do BIB, assim como a assiduidade do paciente nas consultas com a equipe  multiprofissional.