A recidiva de peso (REGANHO DE PESO) é uma realidade após a cirurgia da obesidade. Muitos são os fatores que levam ao reganho, mas o principal é a falta de monitoramento por uma equipe multidisciplinar. O paciente emagrecido sente-se seguro o bastante para se considerar erroneamente curado da obesidade. Esta doença crônica NÃO tem cura, mas sim um controle.

A cirurgia bariátrica em suas várias modalidades e especialmente no padrão ouro, Gastroplastia em Y Roux (Fobi – Capella), trouxe grande esperança no tratamento da obesidade.

Na última década, muitos obesos foram operados e muitos ainda mantém sua perda ponderal. Porém, muitos outros voltam agora a sofrer com o excesso de peso.

As causas são várias, desde o retorno ao hábito alimentar equivocado, com alimentos macios, moles, de fácil passagem e com alto teor de calorias, até o desenvolvimento de outra temida doença: o alcoolismo.  Essas pessoas normalmente possuem uma diminuição sensível na absorção de nutrientes e por isso voltam ao consultório com deficiências nutricionais graves como anemias, hiperparatireoidismo secundário, alopécia, alterações cognitivas entre outras. Agora temos dois problemas, o retorno da obesidade e a necessidade imediata do tratamento das deficiências nutricionais.

Atualmente tem-se uma nova possibilidade para estes pacientes que é o Plasma Endoscópico de Argônio, que nada mais é do que uma fulguração com o argônio. O procedimento é realizado por cirurgião endoscopista habilitado. Através de uma endoscopia, o cirurgião mede o tamanho da anastomose (saída do estômago) e verifica a necessidade ou não de realizar o procedimento. Caso a anastomose esteja alargada, fora dos padrões normais após a bariátrica, o Argônio pode ser um caminho para diminuir o tamanho da anastomose e melhorar o tempo de esvaziamento gástrico, promovendo saciedade mais prolongada. O aspecto inicial é de uma queimadura no estômago e para sua cicatrização perfeita exigirá uma alimentação líquida restrita muito similar a já feita no período após a bariátrica. A alimentação líquida tem como objetivo principal cicatrizar este tecido gástrico. Com duas a três sessões realizadas a cada 60 dias, percebe-se uma diminuição drástica na ingestão calórica total. A Nutricionista tende a evoluir a alimentação lentamente até a ingestão de alimentos em consistência normal, de baixa caloria e alto teor de proteínas.

Os pacientes deverão realizar endoscopia para avaliar o tamanho da anastomose e exames laboratoriais para rever o estado nutricional.

A recidiva de peso está muito ligada à falta de acompanhamento com a equipe multidisciplinar. Muitos pacientes deixaram de fazer o acompanhamento após a cirurgia e é bastante comum encontrarmos deficiências nutricionais graves como anemias ferropriva e megaloblástica, alopécia, alterações de memória e na disposição para as atividades diárias.

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Mais do que trazer uma solução temporária para a doença, é necessário conscientizar a população de que a obesidade é uma doença crônica, inflamatória, de difícil manejo, que precisa de uma equipe multiprofissional integrada para ver este doente de forma global, a mente e o corpo devem caminhar juntos. Que os cuidados com a alimentação, a atividade física frequente, o acompanhamento psicológico, são ferramentas básicas que precisam estar na rotina do operado magro ou daquele que voltou a engordar. Não há um milagre, há um controle, que pode ser feito desde que haja comprometimento do paciente com a equipe que o atende. Pense nisso!