Vegetarianismo e Cirurgia Bariátrica: Experiência Indiana

Vegetarianismo e Cirurgia Bariátrica: Experiência Indiana

A cirurgia bariátrica causa um impacto no estado nutricional dos pacientes com diminuição da ingestão alimentar, intolerância alimentar, aversões alimentares, compulsão por doces, diminuição da absorção de vitaminas, minerais e macronutrientes.

Em populações como a Índia que majoritariamente é vegetariana, sendo 75% de lactovegetarianos, 25% de ovo lactovegetariano e 1% veganos, há uma maior incidência de anemia ferropriva. Após a cirurgia bariátrica 31% dos pacientes pioram o quadro de anemia ferropriva.

As causas da anemia ferropriva são várias. O ácido gástrico converte o ferro férrico em ferroso e absorção do ferro se dá no duodeno e jejuno proximal. Com as técnicas de Bypass Gástrico e Sleeve Gástrico  este processo fica comprometido. O ferro usado precisa ser o não heme, de fontes vegetais. A recomendação de ferro para homens adultos é de 17mg/dia e 21mg/dia para mulheres. Ideal é usar as fontes de suplementação de ferro na forma fumarato ou glicinato e após a cirurgia bariátria, estas recomendações para 28 a 30mg/dia, associados de vitamina C para facilitar a absorção intestinal.

Outra deficiência muito comum é a vitamina B12, que está presente em fontes animais como carne, frango, peixe, ovos, leite e derivados. Na população indiana em geral a deficiência varia 35 a 75%. Após  a cirurgia, em média 37% dos indianos têm a deficiência. O vegetarianismo é o estilo de vida do indiano e o uso de B12 adicional deve ser permanente. Duas formas de suplementação são usadas: adenosilcobalamina e metilobalamina. Tanto no Bypass Gástrico quanto no Sleeve há uma redução importante no fator intrínseco e no número de células parietais, o que prejudica ainda mais o aproveitamento da vitamina B12. No Bypass há desvio do íleo e inviabiliza a absorção desta vitamina. O uso de suplementação de B12 é mandatório e permanente. A RDA para adultos é de 1mcg/d, mas após a cirurgia bariátrica a necessidade é de 500 a 1000mcg intramuscular pelo menos a cada 15 dias. Apresentação nasal ou sublingual  de 1000 a 1200mcg/dia pode ser uma dose de manutenção. No Brasil temos suplementos que abrangem o complexo B: vitaminas B1, B6 e B12, o que torna mais efetiva a suplementação, lembrando que não é possível dosar os exames bioquímicos de todas as vitaminas e as deficiências podem ocorrer simultaneamente.

As proteínas são outra preocupação. A ingestão dos indianos baseia-se em cereais e leguminosas, que podem ser incompletas em aminoácidos essenciais como lisina e triptofano. A diminuição da secreção de ácido clorídrico do estômago, assim como pepsina, que faria o desdobramento das proteínas em pequenos polipeptídeos. As proteínas são absorvidas no intestino e a desnutrição protéica ocorre por vários motivos como intolerâncias e aversões alimentares, estado socio econômico, vômitos e diarreia. Alguns sinais de deficiência protéica são alopecia, perda do tônus muscular e perda muscular como um todo. A deficiência nutricional extrema pode levar a edema em membros inferiores e anasarca. A recomendação nutricional após a bariátrica é de 1 – 1,5g/Kg/d.

E como atingir as necessidades diárias de ferro, vitamina B12 e proteínas em pacientes vegetarianos?

Algumas fontes vegetais pode ser usadas como:

ALIMENTO (100g) QUANTIDADE DE PROTEÍNAS (g)
FEIJÃO 4,5 – 6,1
LENTILHA 6,3
TOFU 6,6
GRÃO DE BICO 8,9
QUINOA 4,4
AMÊNDOAS 18,6
CASTANHA DE CAJU 18,5
CASTANHA DO PARÁ 14,5
CHIA 17
BRÓCOLIS 2,1
VAGEM / ERVILHA 7,5

O whey vegano feito de ervilha também é uma boa opção protéica para complementar.